O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (5) “carregar nas costas” o imbróglio desencadeado no Supremo Tribunal Federal (STF) depois de ser tornada pública a ligação de ministros da Corte com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O chefe do Executivo classificou a situação como “promíscua” e voltou a defender a reforma do Judiciário.
“Nós vamos ter que discutir com a sociedade qual é o critério para indicar ao Senado um candidato a ministro da Suprema Corte. E se ele vai ter mandato ou não. Acho que está na hora da sociedade discutir isso. Porque é verdade que ninguém está acima da lei, nem os ministros da Suprema Corte”, afirmou o petista.
A declaração de Lula se dá um dia depois do resultado do primeiro turno das eleições gerais. O chefe do Executivo terminou a disputa ao Palácio do Planalto em segundo, com 45,16%. O senador Flávio Bolsonaro (PL) obteve 47,03%. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.

Para os próximos 20 dias, Lula disse que a crise institucional no STF terá de ser abordada em sua campanha. “Vamos dormir menos, vamos trabalhar mais”, declarou.
Intensificação da campanha
Aos aliados, Lula também disse que a equipe precisa entender o que não foi feito corretamente no primeiro turno para corrigir na segunda fase de campanha. O chefe do Executivo afirmou que o desafio será “fazer mais rápido e mais bem feito”.
Sem citar Flávio nominalmente, Lula declarou que será necessário mostrar à população “o que está por trás da eleição de um possível herdeiro do fascismo”. O petista admitiu ter ficado decepcionado com o resultado do primeiro turno.
O chefe do Executivo disse que terão de trabalhar para mobilizar os mais de 33 milhões de eleitores que deixaram de votar no primeiro turno. “A responsabilidade é nossa devolver a eles o interesse em participar do processo eleitoral”, afirmou.
Lula relatou aos aliados que “não há nenhuma razão” para não ser reeleito no segundo turno. No entanto, desde a redemocratização, nenhum candidato que terminou a primeira etapa na segunda posição conseguiu reverter o resultado na volta seguinte à disputa presidencial.
Ida a debates
O chefe do Executivo afirmou ser importante participar dos debates presidenciais organizados pelas emissoras no segundo turno. “Agora é tête-à-tête, um contra um”, afirmou.
No primeiro turno, Lula optou por não ir a nenhum encontro de presidenciáveis. Já Flávio declarou que só compareceria se o petista também fosse. O senador chegou a confirmar presença no debate da TV Globo, mas desistiu de participar horas antes do evento.
Derrota de aliados
Lula também falou sobre o revés de sua base no pleito geral. O petista disse aos aliados para não “brigarem” com o eleitor. “Que essa não eleição signifique um aprendizado para a próxima. Vocês estão conversando com uma pessoa que perdeu quatro eleições. Ninguém perdeu mais do que eu. Ninguém foi mais para o segundo turno do que eu. Também ninguém ganhou mais Presidência do que eu”, declarou.
Para o Senado, Flávio elegeu 30 apoiados; o Lula, 18. Com a nova configuração, o PL, do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, terá a maior bancada na Casa Alta a partir de 2027.
O chefe do Executivo lamentou a derrota da senadora Leila do Vôlei (PDT-DF). A parlamentar disputou a reeleição pelo Distrito Federal. As duas vagas ficaram com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) e com a deputada federal Bia Kicis (PL-DF).
Na Câmara dos Deputados, o PL terá a maior bancada, com 121 deputados federais. A federação composta por PT, PCdoB e PV será a segunda maior, com 88 representantes.
Já nas disputas aos Executivos estaduais, o PL elegeu cinco governadores em primeiro turno; o PT, três.
Jovem Pan


















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