Novos detalhes técnicos sobre as mortes investigadas na “Operação Anúbis” foram revelados pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). A diretora do Instituto de Medicina Legal (IML), Márcia Reis, afirmou que a perícia identificou a administração irregular de medicamentos controlados e até o uso de desinfetante em um dos pacientes que morreram no hospital de Taguatinga.
“Houve a suposta aplicação de um desinfetante. Depois dessa aplicação, que ocorreu em mais de uma ocasião, o paciente acabou evoluindo para óbito”, relatou a perita.
Segundo a análise pericial, que cruzou dados dos prontuários médicos com imagens de câmeras de segurança e exames de sangue, as vítimas não apresentaram uma piora gradual, comum em casos graves de UTI, mas sim um agravamento repentino. “Houve uma piora súbita em momentos repetidos que culminaram na parada cardíaca”, explicou a diretora.
O confronto entre as imagens e os registros clínicos mostrou que a instabilidade na saúde dos pacientes ocorria instantes após a intervenção dos suspeitos. De acordo com Márcia, em alguns casos, os eventos de parada cardíaca aconteceram “segundos após a aplicação dessa medicação”.,

Riscos
Questionada se as mortes poderiam ter sido acidentais, a diretora do IML afirmou que, por serem profissionais de saúde experientes em ambiente de terapia intensiva, os investigados tinham ciência dos protocolos rígidos e dos efeitos letais das substâncias administradas daquela forma. “Eles aplicaram de uma forma irregular, não controlada e inadequada. Com certeza sabiam dos efeitos potenciais dessa medicação”, pontuou.
As investigações apontam ainda que, após provocarem as paradas cardíacas, os suspeitos participavam ativamente das manobras de reanimação das vítimas. A polícia apura se essa conduta servia para disfarçar a autoria dos crimes perante a equipe hospitalar.
Entenda o caso
Vítimas são: professora aposentada, 75 anos; servidor público, 63 anos; e homem, de 33 anos. Mortes aconteceram em 19 de novembro e 1 de dezembro do ano passado.
A Operação Anúbis foi deflagrada no dia 11 de janeiro e prendeu um homem e uma mulhere. A ação, que levou à prisão dos suspeitos, contou com o apoio da Coordenação de Repressão a Homicídio e de Proteção à Pessoa (CHPP), Polícia Civil e Departamento de Polícia Especializada (DPE).
Na última quinta-feira (15), mais uma suspeita foi presa, dando início à segunda fase da operação. Na ocasião, ainda foi cumprido o mandado de apreensão de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia, segundo a PCDF.
Em nota, o Hospital Anchieta, declarou que os três funcionários foram demitidos, que se solidariza com as famílias das vítimas e destacou que está comprometido com o auxílio necessário na investigação.
Jovem Pan
