IA com frutas: por que vídeos “fofos” com temas pesados viralizam?

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A combinação entre personagens “bonitinhos” e temas mais pesados tem ganhado espaço nas redes sociais — e não é só uma tendência aleatória. Os Abacatudos, Moranguetes e Bananildos têm viralizado nas últimas semanas nas redes sociais.

As novelas feitas por Inteligência Artificial com personagens de desenho “fofinhos” abordam desde traição e relacionamentos abusivos até flertes na academia e divorcio. Segundo a psicóloga Cibele Santos, esse tipo de conteúdo ativa um fenômeno chamado dissonância cognitiva.

“O cérebro associa automaticamente elementos infantis a conforto e segurança. Quando isso é misturado com algo desconfortável, há um contraste que prende a atenção”, explica.

Esse efeito também envolve a chamada subversão de expectativas. “O público se engaja porque tenta entender o que está vendo. Existe uma curiosidade natural em resolver essa ‘contradição’ entre o visual leve e o conteúdo mais denso”, afirma.

Já o “vale da estranheza” entra em cena quando algo parece familiar, mas causa um incômodo difícil de explicar — o que também favorece o compartilhamento.

Para adultos, esse tipo de estética pode até ter um lado funcional. “Em alguns casos, o visual infantil serve como um filtro emocional, ajudando a lidar com temas mais difíceis de forma indireta”, diz a especialista. Ainda assim, ela ressalta que tudo depende da forma como o conteúdo é construído.

Entre crianças, o cuidado precisa ser maior. “Elas ainda não conseguem separar totalmente o que é forma e o que é conteúdo. Existe o risco de interpretar comportamentos inadequados como algo normal dentro daquele universo”, alerta Cibele. Isso pode gerar confusões sobre limites e relações.

A psicóloga orienta que os responsáveis fiquem atentos a alguns sinais, como mudanças de comportamento, brincadeiras fora do padrão para a idade, desconforto com telas ou uso de termos que a criança não costuma utilizar no dia a dia.

Por fim, ela destaca que, para o público adulto, esse tipo de conteúdo pode ter dois caminhos. “Pode funcionar como uma forma de reflexão e identificação de situações, mas também pode cair na banalização quando o objetivo é apenas chocar”, conclui.

Metrópoles

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