Justiça decide pela impronúncia de dois suspeitos de envolvimento no Caso Miss Altônia

A Justiça decidiu pela impronúncia de dois suspeitos de envolvimento no Caso Miss Altônia, que culminou com duas mortes em 22 de março de 2018. As vítimas foram Bruna Zucco e Valdir Feitosa, que foram assassinados e tiveram seus corpos carbonizados. O duplo homicídio aconteceu em uma estrada rural do município.

O Juiz de Direito da Comarca de Altônia, Eduardo Schmidt Ortiz, proferiu a sentença no último dia 11 de março. No documento, o magistrado impronuncia os acusados Elieser Lopes de Almeida e Edelclei Rodrigues da Fonseca. Além disso, o juiz pronunciou os acusados Armando Diego Salvadego, Marcos Rodrigues Fernandes e Paulo Roberto Kuntz.

A impronúncia é uma decisão judicial que o juiz profere quando não há provas suficientes da existência do crime ou indícios concretos de autoria. Dessa forma, impede o envio do réu a júri popular. No entanto, a sentença de impronúncia não significa que o acusado foi absolvido, além de não encerrar o mérito, inclusive permitindo a reabertura do processo se novas provas surgirem.

Nesta semana, o advogado Jackson Bahls, que defende Elieser Lopes de Almeida, entrou em contato com OBemdito. Ele solicitou espaço para se manifestar sobre a sentença relacionada ao Caso Miss Altônia, em virtude de seu cliente ter sido citado em reportagens na época em que foi detido.

PCPR de Altônia comandou a Operação Miss

No dia 7 de junho de 2025, a Polícia Civil do Paraná (PCPR) deflagrou a Operação Miss. Na ocasião, equipes policiais cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão nas cidades de Palmas/PR, Pato Branco/PR e Balneário Camboriú/SC. A 16ª Delegacia Regional de Altônia coordenou a ofensiva, que contou com apoio de outras equipes policiais.

A operação relacionada com a morte da Miss Altônia e do empresário ocorreu após 7 anos de investigações por parte da PCPR. Reginaldo Caetano, que era o delegado responsável pelo caso, se manifestou logo após a operação. Ele disse que a motivação do crime foi a disputa territorial entre grupos ligados ao contrabando e ao tráfico de drogas na região de fronteira.

Valdir seria o alvo principal. Bruna, segundo a polícia, foi assassinada apenas por estar com ele — não havia qualquer envolvimento dela com atividades criminosas.

O delegado afirmou que a PCPR teve dificuldades para investigar o crime em decorrência da destruição de provas, como o incêndio do veículo com os corpos. Além disso, acrescentou outros obstáculos, como o planejamento meticuloso da execução, suporte logístico e coação de testemunhas.

A Operação Miss resultou na prisão de quatro pessoas suspeitas de participação nas mortes em Altônia. Os detidos foram: Edelclei Rodrigues da Fonseca (apontados como executor). Armando Diego Salvadego (mandante), Marcos Rodrigues (intermediador) e Paulo Roberto Kutz (executor).

Na ocasião, a polícia não localizou Eliezer Lopes de Almeida em Pato Branco. Ele era apontado como o intermediador entre o mandante e os executores. As forças de segurança conseguiram prender Eliezer no dia 24 de agosto de 2025, na cidade de Pato Branco.

Denúncia por duplo homicídio

Em 25 de junho de 2025, o Ministério Público do Paraná (MPPR) ofereceu denúncia criminal contra os cinco homens (4 detidos e 1 foragido). De acordo com a denúncia, eles eram suspeitos de cometer duplo homicídio qualificado e destruição de cadáver.

O processo seguiu tramitando na Justiça e na última quarta-feira (11), o Poder Judiciário impronunciou Elieser Lopes de Almeida e Edelclei Rodrigues da Fonseca.

A sentença também revogou a prisão de Eliser, que deveria deixar a cadeia pública de Francisco Beltrão no dia seguinte (quinta-feira, 12). Porém, não há este tipo de informação a respeito de Edelclei na sentença. O juiz manteve as prisões de Armando Diego Salvadego, Marcos Rodrigues e Paulo Roberto Kutz.

Defesa

Advogado de Elieser, Jackson Bahls se manifestou sobre a decisão judicial e argumentou que as prisões ocorreram devido à pressão popular, que clamava por um desfecho para o Caso Miss Altônia.

“A impronúncia de Elieser é mais um capítulo no caso Miss Altônia. Nós temos cinco pessoas utilizadas como inocentes úteis por um Delegado que vinha sendo muito pressionado pelo poder judiciário e pela população de modo geral para a resolução de um crime que aconteceu há muito tempo. Ele elege então essas pessoas que mereciam ser presas e levadas a julgamento. O Judiciário já deu a resposta, dois foram impronunciados e agora os outros três seguem no processo, que nós não temos dúvida alguma que também merecerão a absolvição, seja pelo poder judiciário ou pelos jurados quando levados a julgamento pelo Tribunal do Júri”, disse.

O espaço está aberto para uma eventual manifestação de qualquer um dos citados na reportagem.

O Bemdito

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