Padre entra na briga contra quedas de energia elétrica na região Alto Piquiri

O padre Mario Augusto Sartori, pároco do Santuário Diocesano São José, em Alto Piquiri, publicou um vídeo nas redes sociais na manhã desta quinta-feira (5) demonstrando indignação com as constantes quedas de energia elétrica na cidade. Segundo ele, as interrupções no fornecimento têm prejudicado diretamente as atividades religiosas realizadas no santuário.

No vídeo, o religioso afirma que a energia voltou a cair durante a celebração de uma missa. Ele pediu desculpas pelo tom adotado na gravação, mas disse que decidiu se manifestar após mais um episódio ocorrido mesmo com o céu limpo e sem sinais de chuva.

“Cria vergonha na cara Copel, já era pra eu ter feito esse vídeo mais de uma vez, mas a gente vai deixando passar, mas hoje foi pra acabar. Hoje, na missa, de novo, a energia da Copel com esse sol, ó, não tem uma nuvem no céu, resolve cair de novo”, disse.

O padre também afirmou que as falhas no fornecimento acontecem mesmo em dias de clima estável. Ele criticou o serviço da Companhia Paranaense de Energia (Copel) e afirmou que não pretende discutir o problema com representantes políticos ou com a empresa.

“De novo, ó, não tem uma nuvem no céu, e aí, assim, não adianta vir um deputado querer falar comigo, o assessor do governador mandar mensagem, eu não vou falar com ninguém. Não adianta o regional da Copel querer um horário ocupado, eu não vou atender ninguém. Só passei pra dizer do desgosto que é o serviço da Copel.”

Prejuízos no santuário

De acordo com o religioso, as oscilações de energia registradas nos últimos dois meses já causaram prejuízos financeiros ao santuário. Ele afirma que uma placa da mesa de som queimou após sucessivas quedas e retornos de energia.

Segundo o padre, o equipamento custa cerca de R$ 4 mil. Além disso, ele informou que foi necessário alugar geradores para garantir a realização de eventos religiosos realizados no último mês.

“A gente vai fazer um acampamento no Carnaval e não tem como fazer sem alugar um gerador. Porque a Copel vai marcar presença em tudo que a gente faz, mais de uma vez ao longo dos dias”, afirmou.

O aluguel do gerador para o acampamento deve custar entre R$ 7 mil e R$ 8 mil. Já para a novena de São José, que deve durar nove dias e atrair fiéis de diversas regiões do país, o custo estimado chega a R$ 20 mil.

“Como é que eu vou trazer gente do Brasil inteiro aqui por nove dias e deixar a Copel aparecer mais que São José? Não posso, eu preciso alugar um gerador”, afirmou.

Somando danos em equipamentos e gastos extras com geradores, o padre calcula que o impacto financeiro causado pelas quedas de energia chega a cerca de R$ 30 mil nos últimos dois meses.

“Então Copel, só você já me custou em dois meses uns 30 mil. Eu estou vendendo essa rifa aqui, 50 reais. Quer comprar 600? 600 vezes 50 você paga o que me deve, porque a minha conta de luz está paga.”

O Santuário Diocesano São José recebe milhares de fiéis de várias regiões do Brasil todo dia 19 de cada mês. Os visitantes participam da chamada Missa do Impossível e também realizam visitas às capelas do complexo religioso.

Padre Mario também mantém forte presença nas redes sociais. Atualmente, ele soma mais de 660 mil seguidores no Instagram, onde costuma compartilhar mensagens religiosas e conteúdos ligados às atividades do santuário.

OBemdito entrou em contato com a assessoria de imprensa da Copel para solicitar posicionamento sobre as quedas de energia relatadas. Até o fechamento desta matéria, a companhia não havia se manifestado.

Reclamações em outras cidades

As reclamações sobre falhas no fornecimento de energia também surgem em outras cidades da região. Em Cruzeiro do Oeste, moradores afirmam que as quedas constantes têm causado prejuízos ao comércio e transtornos à população.

Alguns relatos apontam que, em um único dia, ocorreram cerca de 15 interrupções no fornecimento. Segundo moradores, as oscilações provocaram danos em equipamentos e dificultaram o funcionamento de estabelecimentos comerciais.

Prefeita de Pérola critica serviço

Em Pérola, a prefeita Valdete Cunha também utilizou as redes sociais para manifestar indignação com as sucessivas falhas no fornecimento de energia elétrica no município.

De acordo com a prefeita, no dia 19 de fevereiro a cidade voltou a enfrentar quedas consecutivas de energia, mesmo sem qualquer justificativa climática.

“Quem paga a conta não pode continuar pagando também pelo descaso”, afirmou.

Segundo ela, comerciantes, trabalhadores e famílias inteiras estão sendo prejudicados pela situação. A prefeita afirmou que o problema não é recente e não pode ser tratado como algo normal.

Ela também informou que já manteve diálogo com representantes da Companhia Paranaense de Energia e voltou a tornar pública a insatisfação da administração municipal diante das falhas registradas.

Produtores rurais também relatam perdas

Relatos de prejuízos provocados por quedas de energia também surgem em outras regiões do Paraná. No município de Tupãssi, no oeste do estado, um produtor de tilápia perdeu cerca de 900 mil quilos de peixe após oscilações no fornecimento de energia elétrica.

Segundo o produtor, os animais estavam prontos para o abate. O prejuízo estimado chega a aproximadamente R$ 9 milhões.

Produtores de frango também relatam impactos semelhantes. Em São Miguel do Iguaçu, a avicultora Sandra Bogo perdeu cerca de 20 mil frangos após falhas no fornecimento de energia em sua propriedade rural.

O Bemdito

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