Os corpos dos integrantes dos Mamonas Assassinas foram exumados na última segunda-feira (23), no Cemitério Primaveras, em Guarulhos, na Grande São Paulo. Durante o procedimento, um detalhe chamou a atenção dos familiares de Dinho: a jaqueta usada para enterrar o vocalista foi encontrada intacta dentro do caixão.
“A jaqueta estava ali há 30 anos e parecia que tinha sido colocada ontem”, afirmou Jorge Santana, primo de Dinho e CEO da marca Mamonas.
Segundo ele, o momento foi o mais impactante da cerimônia. “Foi, para mim, o momento mais impactante de tudo. A jaqueta foi algo inusitado e, por estar em bom estado e não estar junto aos restos mortais, pensamos em mantê-la exposta no memorial”, disse.
“Possivelmente vamos deixá-la exposta. Ela vai ser tratada e emoldurada. Foi um momento complicado, difícil, mas a gente passou junto”, completou.
Novo significado
Três décadas após o acidente aéreo que interrompeu a trajetória da banda, os familiares decidiram dar um novo significado à despedida. Em comum acordo, foi autorizada a exumação para que parte das cinzas seja utilizada no plantio de cinco árvores no BioParque Cemitério, também em Guarulhos, cidade onde o grupo foi formado.
A iniciativa foi divulgada no último sábado (21/2) pelas redes sociais oficiais da banda e do cemitério. A proposta integra um projeto que busca transformar a memória dos artistas em um gesto simbólico de continuidade e preservação ambiental.
O espaço receberá o nome de Jardim BioParque Memorial Mamonas e seguirá o conceito do empreendimento, que associa homenagem póstuma, vínculo afetivo, sustentabilidade e cuidado com a natureza.
De acordo com o projeto, as cinzas serão incorporadas às sementes de espécies nativas, acompanhadas por especialistas responsáveis pelo desenvolvimento das mudas. A proposta é criar uma representação de renovação a partir da lembrança.
Em nota, o cemitério afirmou que o espaço pretende ser “mais do que um memorial” e se propõe a funcionar como “um patrimônio afetivo, onde o tempo não apaga as lembranças, apenas as transforma”.
A história da banda foi interrompida em março de 1996, após um show realizado em Brasília. No retorno para casa, o jatinho que transportava os integrantes colidiu com a Serra da Cantareira, provocando a morte de todos os ocupantes. A tragédia marcou o país e consolidou o grupo como um dos fenômenos mais lembrados da música brasileira.
(Com informações do Metrópoles)


