Teste para identificar a presença de anticorpos neutralizantes contra Covid-19

Por José Eduardo Camargo Pires – biomédico no Laboratório Assis

É preciso dizer que não há qualquer motivo, a priori, para acreditar que uma pessoa saudável não vá responder bem à vacina. As vacinas não são infalíveis, claro, mas a grande maioria das pessoas vai sim desenvolver bons anticorpos e respostas celulares, ficando protegidas das formas graves da doença. Mas toda essa ansiedade, na verdade, está fundamentada em um grande desconhecimento do efeito da vacina e dos testes para detectar os anticorpos gerados por elas. Para as vacinas baseadas na proteína S, como a da AstraZeneca, não é mesmo esperado que seu título de anticorpos aumente nos testes comerciais realizados pelos principais laboratórios, já que esses testes detectam anticorpos contra a proteína N, e esses anticorpos não são estimulados por esta vacina. Para a Coronavac, embora tenhamos o vírus inteiro induzindo anticorpos, é sabido que os títulos de anticorpos não são tão altos e que a maioria das pessoas não vai produzir quantidades relevantes de anticorpos contra a proteína N.

Testagem pós-vacinal de SARS-CoV-2 não é uma bobagem
Compartilhar informações seguras e de qualidade para utilização criteriosa dos testes laboratoriais é trabalho constante da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML). Assim, a entidade vem a público defender a importância da testagem pós-vacinal. Trata-se de procedimento essencial para que seja possível entender a resposta imune que se segue à vacina, e, consequentemente, acompanhar a relação dela com o impedimento da proliferação do vírus e a diminuição de interações e óbitos.

Em uma divulgação recente, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) evidenciaram que aproximadamente 85% dos pacientes que receberam a vacina Coronavac, produziram anticorpos neutralizantes, ou seja, 15% não produziram anticorpos e, em tese, poderiam estar mais expostos por não terem resposta humoral. Já existem casos documentados de doença grave 20 dias após a segunda dose de Coronavac – esses pacientes não apresentavam anticorpos neutralizantes no início da infecção. Ainda não está bem demonstrado o correlato entre níveis de anticorpos e susceptibilidade à doença, mas essas informações demonstram que cada organismo responde de maneira diferente à vacina e que provavelmente nem todas as pessoas desenvolverão os anticorpos necessários para bloquear a doença, o que só poderá ser identificado mediante a testagem.

Conclusão: Ainda estamos aprendendo sobre o comportamento do vírus COVID-19 e ainda há um caminho longo a ser percorrido para o entendimento da doença e suas mutações. Quanto mais informações e testagens tivermos, antes e depois da infecção, mais rapidamente poderemos debelar a pandemia. Os testes, bem realizados, são sem dúvida, uma das armas mais poderosas no enfrentamento dessa batalha. Não esquecendo que os esforços neste momento devem ser direcionados a ampliação da vacinação em âmbito nacional e que todas as medidas protetivas devem continuar para que possamos controlar a circulação do vírus.

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