Saiba mais sobre o Corona Vírus

Até o momento, a covid-19, doença respiratória causada pelo novo coronavírus, já matou mais de 8.000 pessoas e infectou mais de 201 mil em todo o mundo. O Brasil já tem mais de 290 casos confirmados. Tire as principais dúvidas sobre o vírus:

O que é coronavírus?

É um vírus que tem causado doença respiratória —a covid-19— pelo agente coronavírus, recentemente identificado na China. Os coronavírus são uma grande família viral, conhecidos desde meados de 1960, que causam infecções respiratórias em seres humanos e em animais. Geralmente, infecções por coronavírus causam doenças respiratórias leves a moderadas, semelhantes a um resfriado comum. Alguns coronavírus podem causar doenças graves com impacto importante em termos de saúde pública, como a Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave), identificada em 2002 e a Mers (Síndrome Respiratória do Oriente Médio), identificada em 2012.

Como surgiu o coronavírus?

Novos vírus são descobertos a todo momento. Grande parte pula de outras espécies, onde passam despercebidos, para os humanos. A Sars passou para os humanos a partir de um animal selvagem conhecido como civeta (ou gato-de-algália, parente do guaxinim) —que era considerado uma iguaria na região de Guangdong, na China.

Já a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers, na sigla em inglês), que matou 858 dos 2.494 pacientes identificados com a infecção desde 2012, geralmente pula de dromedários.

Qual a forma de transmissão do vírus?

As investigações sobre transmissão do novo coronavírus ainda estão em andamento, mas a disseminação de pessoa para pessoa, ou seja, a contaminação por contato está ocorrendo. É importante observar que a disseminação de pessoa para pessoa pode ocorrer de forma continuada.

Alguns vírus são altamente contagiosos (como sarampo), enquanto outros são menos. Ainda não está claro com que facilidade o novo coronavírus se espalha de pessoa para pessoa.

Apesar disso, a transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como:

  • gotículas de saliva;
  • espirro;
  • tosse;
  • catarro;
  • contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão;
  • contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Os coronavírus apresentam uma transmissão menos intensa que o vírus da gripe. O vírus pode ficar incubado por duas semanas, período em que os primeiros sintomas levam para aparecer desde a infecção.

Como se prevenir e evitar o coronavírus?

O Ministério da Saúde orienta cuidados básicos para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas, incluindo o novo coronavírus. Entre as medidas estão:

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização. Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool, como álcool em gel.
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas.
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes.
  • Ficar em casa quando estiver doente.
  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo.
  • Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência.

Profissionais de saúde devem utilizar medidas de precaução padrão, de contato e de gotículas (máscara cirúrgica, luvas, avental não estéril e óculos de proteção).

Para a realização de procedimentos que gerem aerossolização de secreções respiratórias como intubação, aspiração de vias aéreas ou indução de escarro, deverá ser utilizado precaução por aerossóis, com uso de máscara N95.

MAIS SOBRE PREVENÇÃO

Vale a pena usar máscara?

As máscaras cirúrgicas são essenciais para as pessoas doentes e recomendadas nas regiões mais afetadas, mas não garantem uma proteção de 100% contra a epidemia. Como não estão completamente presas ao rosto, elas deixam o ar entrar sem filtragem e você pode inalar o vírus.Os especialistas também insistem que, após algumas horas, devem ser trocadas, aconselhando os tipos mais caros, as chamadas máscaras de proteção respiratória individual, compostas por uma peça facial e um dispositivo de filtragem de ar de uma vida útil mais longa.

Como é feito o diagnóstico do novo coronavírus?

O diagnóstico do novo coronavírus é feito com a coleta de materiais respiratórios com potencial de aerossolização (aspiração de vias aéreas ou indução de escarro). É necessária a coleta de duas amostras na suspeita do novo coronavírus. As duas amostras serão encaminhadas com urgência para o Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública). Uma das amostras será enviada ao NIC (Centro Nacional de Influenza) e outra amostra será enviada para análise de metagenômica.

Coronavírus tem cura? Como é o tratamento?

Não existe tratamento específico para infecções causadas por coronavírus humano. No caso do novo coronavírus é indicado repouso e consumo de bastante água, além de algumas medidas adotadas para aliviar os sintomas, conforme cada caso, como, por exemplo:

  • uso de medicamento para dor e febre (antitérmicos e analgésicos).
  • uso de umidificador no quarto ou tomar banho quente para auxiliar no alívio da dor de garganta e tosse.

Assim que os primeiros sintomas surgirem, é fundamental procurar ajuda médica imediata para confirmar diagnóstico e iniciar o tratamento.

Todos os pacientes que receberem alta durante os primeiros 7 dias do início do quadro (qualquer sintoma independente de febre), devem ser alertados para a possibilidade de piora tardia do quadro clínico e sinais de alerta de complicações como: aparecimento de febre (podendo haver casos iniciais sem febre), elevação ou reaparecimento de febre ou sinais respiratórios, taquicardia (aumento dos batimentos cardíacos), dor pleurítica (dor no peito), fadiga (cansaço) e dispneia (falta de ar).

MAIS SOBRE SINTOMAS, TRATAMENTO E TRANSMISSÃO

Como é definido um caso suspeito ou provável do novo coronavírus?

Diante da confirmação de caso do coronavírus no Brasil e considerando a dispersão do vírus no mundo, a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde informa que a partir de 01 de março de 2020, passa a vigorar as seguintes definições operacionais para a saúde pública nacional:

Situação 1 – VIAJANTE: pessoa que apresente febre E pelo menos um dos sinais ou sintomas respiratórios (tosse, dificuldade para respirar, produção de escarro, congestão nasal ou conjuntival, dificuldade para deglutir, dor de garganta, coriza, saturação de O2 < 95%, sinais de cianose, batimento de asa de nariz, tiragem intercostal e dispneia) E com histórico de viagem para país com transmissão sustentada OU área com transmissão local nos últimos 14 dias (figura 1); OU

Situação 2 – CONTATO PRÓXIMO: Pessoa que apresente febre OU pelo menos um sinal ou sintoma respiratório (tosse, dificuldade para respirar, produção de escarro, congestão nasal ou conjuntival, dificuldade para deglutir, dor de garganta, coriza, saturação de O2 < 95%, sinais de cianose, batimento de asa de nariz, tiragem intercostal e dispneia) E histórico de contato com caso suspeito ou confirmado para covid-19, nos últimos 14 dias.

Situação 3 – CONTATO DOMICILIAR: Pessoa que manteve contato domiciliar com caso confirmado por covid-19 nos últimos 14 dias E que apresente febre OU pelo menos um sinal ou sintoma respiratório (tosse, dificuldade para respirar, produção de escarro, congestão nasal ou conjuntival, dificuldade para deglutir, dor de garganta, coriza, saturação de O2 < 95%, sinais de cianose, batimento de asa de nariz, tiragem intercostal e dispneia). Nesta situação é importante observar a presença de outros sinais e sintomas como: fadiga, mialgia/artralgia, dor de cabeça, calafrios, manchas vermelhas pelo corpo, gânglios linfáticos aumentados, diarreia, náusea, vômito, desidratação e inapetência.

Quem corre mais riscos?

Os idosos são os que mais correm riscos. A partir dos 65 anos, a taxa de mortalidade cresce exponencialmente. Por exemplo, na China: a taxa de mortalidade entre os infectados até 40 anos é de 0,2%. Entre 70 e 79 anos, é de 8%. E acima de 80 anos, sobe para 14,8%. Por isso, principalmente os idosos deverão se cuidar nas próximas semanas ou meses, e mais ainda se eles já tiverem alguma outra doença. Esse grupo de risco deve de todas as maneiras evitar aglomerações, shows ou encontros em clubes e associações.

Avós não devem de forma alguma cuidar dos netos caso estes estejam de quarentena e não puderem ir à escola. E parentes devem assumir a tarefa de ir ao supermercado.

Quase todos os mortos pelo coronavírus já estavam doentes antes da infecção. Segundo uma análise dos casos na China feita pela OMS, os riscos são maiores em casos de doenças cardiovasculares, diabetespressão alta, doenças respiratórias crônicas e câncer.

E as crianças?

As crianças não são as mais atingidas pelo novo coronavírus. Claro que elas também são infectadas, mas não desenvolvem a doença ou apenas apresentam sintomas leves. A explicação ainda não é conhecida. Médicos acreditam que isso se deva à imunidade inespecífica, que todo ser humano tem ao nascer e que age da mesma maneira contra qualquer agente estranho ao organismo.

Como proteção contra os primeiros agentes patogênicos, a mãe passa ao feto e mais tarde ao recém-nascido, por meio do leite materno, sua própria imunidade, chamada específica ou congênita. Desta fazem parte, por exemplo, as células exterminadoras naturais e os macrófagos.

Essa imunidade costuma dar conta do recado até as crianças desenvolverem sua própria imunidade específica, o que ocorre até os 10 anos de idade. E também depois disso, o sistema imunológico continua aprendendo a se defender de novas doenças.

O Brasil está preparado?

O governo federal adotou diversas ações para o monitoramento e o aprimoramento da capacidade de atuação do país diante do episódio ocorrido na China. Entre essas ações, estão a adoção das medidas recomendadas pela OMS; a notificação da área de portos, aeroportos e fronteiras da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária); a notificação da área de Vigilância Animal do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento); e a notificação às Secretarias de Saúde dos estados e municípios, demais Secretarias do Ministério da Saúde e demais órgãos federais com base em dados oficiais, evitando medidas restritivas e desproporcionais em relação aos riscos para a saúde e trânsito de pessoas, bens e mercadorias.

O Ministério da Saúde também instalou o COE (Centro de Operações de Emergência) – coronavírus (SARS-CoV-2) que tem como objetivo preparar a rede pública de saúde para o atendimento de possíveis casos no Brasil.

O COE é composto por técnicos especializados em resposta às emergências de saúde pública. Além do Ministério da Saúde, compõe o grupo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Instituto Evandro Chagas (IEC), além de outros órgãos. Desta forma, o país poderá responder de forma unificada e imediata à entrada do vírus em território brasileiro.

Para melhor monitoramento do novo coronavírus (SARS-CoV-2), o COE faz uso da Plataforma IVIS, esta ferramenta integra as informações produzidas pelos Sistemas de Informação em Saúde gerenciados pela Secretaria de Vigilância em Saúde e apresenta os principais indicadores de saúde. Gestores e trabalhadores da saúde, bem como a população em geral, poderão facilmente conhecer a situação de saúde nos estados e no Brasil.

Contribui para o aprimoramento da Vigilância em Saúde, entendida como processo contínuo e sistemático de coleta, consolidação, análise de dados e disseminação de informações sobre eventos relacionados à saúde, visando o planejamento e a implementação de medidas de saúde pública, incluindo a regulação, intervenção e atuação em condicionantes e determinantes da saúde, para a proteção e promoção da saúde da população, prevenção e controle de riscos, agravos e doenças.

O SUS tem tratamento para a doença?

Não existe medicação específica para o vírus. O tratamento é feito com base nos sintomas de cada paciente.

Qualquer hospital pode receber esse paciente?

Para um correto manejo clínico desde o contato inicial com os serviços de saúde, é preciso considerar e diferenciar cada caso. Os casos graves devem ser encaminhados a um Hospital de Referência estadual para isolamento e tratamento. Os casos suspeitos leves podem não necessitar de hospitalização, sendo acompanhados pela Atenção Primária e instituídas medidas de precaução domiciliar. Porém, é necessário avaliar cada caso.

Qual é a diferença dessa doença para uma gripe, já que os sintomas são parecidos?

No início da doença, não existe diferença quanto aos sinais e sintomas de uma infecção pelo novo coronavírus em comparação com os demais vírus. Por isso, é importante ficar atento às áreas de transmissão local.

Por quanto tempo a doença pode ficar incubada?

A doença pode ficar incubada até duas semanas após o contato com o vírus. O período médio de incubação é de 5 dias, com intervalo que pode chegar até a 14 dias.

Qual exame detecta o coronavírus?

Para detectar a doença é necessário realizar exames de biologia molecular que detecte o RNA viral. É importante seguir as orientações que estão no boletim em relação aos procedimentos para o diagnóstico laboratorial.

MAIS SOBRE FAKE NEWS DA DOENÇA

Tive contato com pessoas que vieram de países que têm o vírus em circulação recentemente. O que devo fazer?

Deve-se ficar atento ao aparecimento de febre e sintomas respiratórios (tosse, dificuldade para respirar, entre outros). Caso manifeste algum desses sintomas deve-se procurar atendimento médico imediatamente e informar a respeito do contato com pessoa que tem histórico recente de viagem a esses locais. (Com informações de DW, BBC, AFP e Ministério da Saúde)

Países em que o vírus já chegou

O vírus também já chegou em 156 países.Vale ressaltar que mais de 82 mil pessoas se recuperaram da doença.

No dia 11 de março, a OMS (Organização Mundial de Saúde) declarou a crise do coronavírus como uma pandemia. O termo é usado para descrever uma situação em que uma doença infecciosa ameaça muitas pessoas ao redor do mundo simultaneamente.

O exemplo mais recente foi a disseminação global do vírus influenza H1N1, que causou a pandemia da gripe suína, em 2009. Especialistas acreditam que ele tenha infectado milhões de pessoas e matado centenas de milhares.

Mas uma pandemia não se caracteriza pela gravidade da doença que ela causa. O principal fator é o geográfico, quando todas as pessoas no mundo correm risco. Pandemias são mais prováveis com novos vírus. Como não temos defesas naturais contra eles ou medicamentos e vacinas para nos proteger, eles conseguem infectar muitas pessoas e se espalhar facilmente e de forma sustentada.

Fonte: UOL

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